Os nomes dos teoremas, das fórmulas e dos números são uma parte da notação que quase ninguém questiona. Escrevemos “triângulo de Pascal”, “equação de Pell”, “regra de L’Hôpital” como se o nome fosse uma etiqueta neutra. Não é: o nome registra quem foi lido, por quem e em que língua. Uma lei que se confirma a si mesma Em 1980, o estatístico americano Stephen Stigler publicou um artigo com uma lei provocadora: nenhuma descoberta científica leva o nome de quem a descobriu primeiro. E, para completar, atribuiu a lei ao sociólogo Robert K. Merton, que já tinha estudado o fenômeno. A lei de Stigler da eponímia é, portanto, um exemplo de si mesma. Exagera, mas acerta com uma frequência incômoda.
A escrita dos números que usamos hoje parece natural porque é a única que aprendemos. Mas outras culturas resolveram o mesmo problema, escrever quantidades e fazer contas com elas, de maneiras diferentes, e cada solução deixou marcas no que essas culturas puderam pensar. As varetas chinesas Durante quase dois mil anos, os matemáticos chineses calcularam com varetas: pauzinhos de bambu, osso ou metal arrumados sobre um tabuleiro dividido em colunas. Cada coluna era uma casa decimal, e um algarismo de 1 a 5 se fazia com o mesmo número de varetas; de 6 a 9, com uma vareta que valia cinco e mais algumas. Para que as colunas vizinhas não se confundissem, as varetas alternavam de posição: em pé nas unidades, deitadas nas dezenas, em pé de novo nas centenas.