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O legado de Bernhard Riemann

Riemann é o homem da intuição brilhante. — Felix Klein, Lições sobre o desenvolvimento da matemática no século XIX (1926) As obras completas de Riemann, editadas por Dedekind e Weber em 1876, cabem num volume de pouco mais de quinhentas páginas, incluindo os trabalhos póstumos e as notas. Poucos matemáticos deixaram tão pouco texto e tantas consequências. O que leva o seu nome A integral de Riemann e as somas de Riemann, a definição de integral dos cursos de cálculo. As superfícies de Riemann e a esfera de Riemann, o plano complexo com um ponto no infinito, fechado como uma esfera. As equações de Cauchy–Riemann e o teorema da aplicação de Riemann. A geometria riemanniana, as variedades riemannianas, a métrica e o tensor de curvatura de Riemann, a linguagem da relatividade geral. O teorema de Riemann–Roch, que conta as funções que se podem definir numa superfície de Riemann, completado por seu aluno Gustav Roch em 1865. A função zeta de Riemann e a hipótese de Riemann. O teorema do rearranjo de Riemann, sobre as séries condicionalmente convergentes. Um novo estilo Mais que os resultados, Riemann mudou o estilo da matemática. Antes dele, uma função era sobretudo uma fórmula, e os matemáticos trabalhavam manipulando fórmulas. Riemann pensava em conceitos: uma função complexa definida pelas suas propriedades, não pela expressão; uma superfície definida sem estar desenhada em lugar nenhum; um espaço definido pela sua regra de medir. Os matemáticos do século XX, de Hilbert a Weyl, viam nele o fundador da matemática “conceitual” que se tornou dominante.