Os capítulos anteriores trataram a notação quase sempre como se ela fosse uma só: a escrita que se aprende na escola, herdeira dos algarismos indianos, da álgebra de Viète e do cálculo de Leibniz. Este capítulo lembra que essa escrita é uma entre muitas, e que cada uma nasceu de um lugar, de uma ferramenta e de uma comunidade.

Os chineses calculavam com varetas sobre um tabuleiro, e as varetas vermelhas e pretas lhes deram números negativos séculos antes da Europa. Os maias contavam de vinte em vinte e tinham um sinal para o zero. Os incas guardavam números em cordas com nós. Do outro lado, a mesma escrita europeia que conquistou o mundo também perdeu batalhas: a Revolução Francesa impôs o metro, mas não conseguiu impor a hora de cem minutos. Uma notação vence quando uma comunidade a adota, e as comunidades têm razões que a matemática não explica sozinha.

O capítulo também olha para o presente: para os físicos que deixam de escrever o sinal de soma, para Kenneth Iverson, que defendia a notação como ferramenta de pensamento, para o $x = x + 1$ que não é equação mas ordem, para os nomes que os teoremas carregam e para os meninos feirantes do Recife que calculavam melhor na rua que no papel. E termina com a escrita mais exigente de todas, a das provas verificadas por computador, em que nada pode ficar subentendido.

Textos do capítulo

  1. Outras escritas, outras matemáticas: varetas, pontos e nós
  2. O metro venceu, a hora decimal não
  3. Convenções de tribo: Einstein, Bourbaki e o leitor iniciado
  4. A notação como ferramenta de pensamento: Iverson
  5. O igual que manda: x = x + 1 e as linguagens de programação
  6. Os nomes nos teoremas: a lei de Stigler
  7. Na vida dez, na escola zero: a matemática fora do papel
  8. Notação para máquinas: provas que o computador confere
  9. Notação e cultura: roteiro e glossário
  10. Referências, créditos e fim do livro