Linha do tempo

  1. c. 287 a.C.
    Nasce em Siracusa, filho do astrônomo Fídias.
  2. c. 270 a.C.
    Hierão II torna-se senhor de Siracusa; mais tarde se proclama rei.
  3. c. 250 a.C.
    Por esta época, escreve a Cónon de Samos e a Dositeu, em Alexandria, enviando os seus resultados.
  4. c. 240 a.C.
    Escreve a Eratóstenes, em Alexandria, a carta que conhecemos como O Método.
  5. 215 a.C.
    Morre Hierão. Siracusa se alia a Cartago contra Roma.
  6. 214 a.C.
    O general romano Marcelo começa o cerco de Siracusa. As máquinas de Arquimedes defendem a cidade.
  7. 212 a.C.
    Siracusa cai. Arquimedes é morto por um soldado romano.
  8. 75 a.C.
    Cícero, magistrado romano na Sicília, reencontra o seu túmulo.

Uma cidade grega na Sicília

Arquimedes nasceu por volta de 287 a.C. em Siracusa, na costa leste da Sicília. A data vem de um autor bizantino do século XII, João Tzetzes, que diz que ele morreu aos 75 anos. Siracusa era então uma das maiores cidades do mundo grego, com dois portos e uma ilha fortificada, Ortígia, no coração da cidade antiga.

Ortígia, a ilha que formava o núcleo da Siracusa antiga, vista do mar.
Ortígia, a ilha que formava o núcleo da Siracusa antiga, vista do mar.Andrea Schaffer · Wikimedia Commons · CC BY 2.0

Quase tudo o que sabemos da sua família vem de uma frase dele mesmo. No Contador de areia, ao citar estimativas do tamanho do Sol, Arquimedes menciona “Fídias, meu pai”, um astrônomo. Plutarco afirma que ele era parente e amigo do rei Hierão II, que governou Siracusa por mais de cinquenta anos.

As cartas para Alexandria

O grande centro da ciência grega era Alexandria, no Egito, com o seu Museu e a sua Biblioteca. É provável que Arquimedes tenha estudado lá quando jovem. O certo é que, de volta a Siracusa, manteve contato com os matemáticos alexandrinos: muitos dos seus livros começam como cartas, dirigidas ao astrônomo Cónon de Samos, depois da morte deste ao seu aluno Dositeu, e ao geógrafo Eratóstenes de Cirene, o homem que mediu a circunferência da Terra.

As cartas revelam um temperamento. Arquimedes enviava aos colegas os enunciados de teoremas sem a demonstração, para que eles tentassem prová-los. Numa delas, confessa que incluiu de propósito dois resultados falsos, para desmascarar quem dissesse ter descoberto tudo sozinho.

Arquimedes pensativo, numa pintura de Domenico Fetti de cerca de 1620. Não existe nenhum retrato antigo confiável de Arquimedes; todas as imagens dele são imaginadas.
Arquimedes pensativo, numa pintura de Domenico Fetti de cerca de 1620. Não existe nenhum retrato antigo confiável de Arquimedes; todas as imagens dele são imaginadas.Domenico Fetti · Wikimedia Commons · domínio público

O engenheiro do rei

Para Hierão, Arquimedes era também um engenheiro. A história da coroa de ouro e do grito de “eureka” se passa na corte. Plutarco conta que, depois de afirmar que com uma força dada se podia mover qualquer peso, Arquimedes foi desafiado pelo rei a provar. Escolheu um navio de carga recém-construído, que só podia ser posto no mar por muitos homens, mandou enchê-lo de passageiros e carga e, sentado longe, puxando com a mão a ponta de um sistema de polias, fez o navio deslizar suavemente, como se estivesse na água. É a lei da alavanca em ação.

O cerco

Hierão morreu em 215 a.C., em plena guerra entre Roma e Cartago. O seu sucessor passou para o lado cartaginês, e em 214 a.C. o general romano Marco Cláudio Marcelo atacou Siracusa por terra e por mar. Os historiadores antigos, Políbio, Tito Lívio e Plutarco, descrevem o espanto dos romanos diante das máquinas de Arquimedes: catapultas que alcançavam distâncias diferentes, guindastes que despejavam pedras e uma garra que erguia a proa dos navios e os deixava cair. Segundo Plutarco, os soldados fugiam ao ver uma corda ou uma viga aparecer sobre a muralha. A cidade só caiu em 212 a.C., por um descuido durante uma festa.

A morte diante do desenho

Marcelo teria dado ordem para poupar Arquimedes. Mas, no saque da cidade, um soldado o encontrou. Plutarco dá várias versões: na mais famosa, Arquimedes estava tão concentrado num problema que não percebeu a invasão, e pediu ao soldado que esperasse até ele terminar a demonstração; o soldado, irritado, o matou. Mais tarde, autores latinos puseram na boca dele a frase “não perturbe os meus círculos”.

Arquimedes e o soldado romano, num mosaico em estilo antigo. Durante muito tempo foi tido como romano, mas é uma obra do século XVIII.
Arquimedes e o soldado romano, num mosaico em estilo antigo. Durante muito tempo foi tido como romano, mas é uma obra do século XVIII.Autor desconhecido · Wikimedia Commons · domínio público
Exercício: datas antes de Cristo

Arquimedes nasceu por volta de 287 a.C. e morreu em 212 a.C. Quantos anos viveu? E quanto tempo separa a sua morte da visita de Cícero ao túmulo, em 75 a.C.?

Nos anos antes de Cristo, os números diminuem com o passar do tempo, então subtraímos ao contrário: $287 - 212 = 75$ anos, de acordo com Tzetzes. Da morte até Cícero: $212 - 75 = 137$ anos. (Como não existe ano zero, só é preciso cuidado quando o intervalo atravessa a passagem de 1 a.C. para 1 d.C.)

Exercício: quanto tempo durou o cerco?

O cerco começou em 214 a.C. e a cidade caiu em 212 a.C. Se o cerco começou na primavera de 214 e terminou no outono de 212, quantos meses durou, aproximadamente?

De uma primavera para a mesma estação do ano seguinte são 12 meses; de 214 a 212 são dois anos, 24 meses, e da primavera ao outono são mais uns 6 meses. O cerco durou cerca de 30 meses, dois anos e meio.

Fontes: Plutarco, Vida de Marcelo, 14–19 · Políbio, Histórias, VIII, 3–7 · Tito Lívio, História de Roma, XXIV, 34, e XXV, 31 · Cícero, Discussões tusculanas, V, 64–66 · E. J. Dijksterhuis, Archimedes (1956) · Reviel Netz e William Noel, The Archimedes Codex (2007) · biografia de Arquimedes, MacTutor.


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